Táticas de Negociação: Sabe Salvaguardar a Face do Seu Oponente?

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Peça de xadrez cavalo branco sobre peças caídas - tácticas de negociação estratégicas

As táticas de negociação são como um jogo de xadrez onde ninguém quer ser o peão. Há quem faça de tudo para ganhar alguns centavos, esquecendo-se completamente que vai precisar de trabalhar com a outra pessoa novamente. Há quem se deixe intimidar tão facilmente que sai de uma reunião de negociação perguntando-se a si mesmo por que é que até agora ainda não fechou a porta atrás de si. E depois há quem compreenda uma verdade elementar: para ganhar uma negociação de forma duradoura, precisa de deixar o seu adversário com a sensação de que também ganhou alguma coisa. Esta é a arte de salvaguardar a face do oponente, e é precisamente isto que o separa de quem deixa dinheiro em cima da mesa.

Quantas negociações lhe correram mal porque assumiu uma postura demasiado agressiva? Ou então porque cedeu com demasiada rapidez e depois percebeu que podia ter mantido margem? Os estudos da Harvard Business School mostram que 65% das negociações fracassam não por falta de possibilidade de acordo, mas porque uma das partes se sente humilhada ou diminuída no resultado final. Isto cria relacionamentos tóxicos, reabre negociações já fechadas e destrói a possibilidade de haver oportunidades futuras. Pior ainda, quando o outro lado se sente ridicularizado, a probabilidade de cumprir exatamente aquilo que foi acordado diminui significativamente. Começa a procurar brechas, a atrasar entregas, a encontrar problemas técnicos improváveis. É o preço invisível de não saber salvaguardar a face do seu oponente.

A história real que mudou tudo

Vou partilhar consigo uma história real que me ensinou tudo isto. Há alguns anos, quando era Diretor-Geral de uma empresa de tecnologia, precisava de negociar a implementação de um sistema de gestão bastante complexo. Não era apenas uma questão de preço. Éramos uma equipa nascente a tentar implementar um projeto de grande envergadura com recursos limitados. A empresa fornecedora era uma multinacional consolidada, com dezenas de projetos semelhantes no mercado. Sabiam que tínhamos pouca margem de manobra e que o projeto era crítico para a nossa operação. Isto era exatamente o tipo de circunstância que qualquer negociador agressivo sonhava: uma presa indefesa à sua frente.

A primeira reunião foi precisamente assim. O responsável comercial da empresa fornecedora veio acompanhado por um colega mais sénior. O comercial apresentava as propostas, mas quando eu colocava objeções, o colega sénior aparecia com uma objeção ainda mais firme, mais categórica. Era a tática clássica do “bom polícia, mau polícia” — e era bem executada. Eu tinha de escolher entre aceitar as condições do comercial (que não eram excelentes) ou lidar com as exigências do sénior (que eram ainda piores). Entretanto, durante a negociação, o comercial começou a insinuar que a empresa tinha outras oportunidades muito mais interessantes no mercado. Depois veio o golpe final: “Senhor José, compreendo a sua posição, mas francamente, talvez o nosso projeto não seja a melhor opção para uma empresa do seu tamanho. Temos propostas muito mais alinhadas com empresas… mais estabelecidas.”

Isto era um “walk away” — uma ameaça de terminar a negociação e simplesmente sair. A mensagem subliminar era clara: “Vão encontrar outro fornecedor, e vão ficar com um projeto indefinido.” Era o momento em que muitos comerciais se desmoronam e aceitam qualquer coisa. Mas comecei a perceber algo curioso: a expressão deles estava demasiado confiante. Muito confiante até. Comecei a pensar que talvez aquilo fosse mesmo apenas um bluff.

Respirei fundo e mudei completamente a estratégia. Em vez de tentar ganhar naquela negociação, decidi deixá-los ganhar. Mas à minha maneira. Disse ao responsável comercial: “Compreendo perfeitamente. Sabem, o problema não é o preço. O problema real é que a minha equipa não tem experiência com este sistema. Implementar uma solução desta complexidade vai ser um risco enorme. E honestamente, não tenho confiança de que a minha equipa consiga extrair verdadeiramente o máximo desta tecnologia sem um suporte muito mais aprofundado do que aquilo que estão a propor.”

A mudança foi imediata. De repente, eu não era mais uma “presa”, mas um cliente que tinha uma preocupação legítima. O sénior inclinou-se para a frente. O comercial começou a tomar notas. E depois veio a magia: “Senhor José, está bem, que tal se nós oferecemos um programa completo de formação em vez de reduzir o preço? Podemos fornecer 150 horas de formação certificada para a sua equipa, o que vai garantir que tiram o máximo do sistema.”

Para ele, isto era uma vitória. Estava a oferecer um “plus” que tinha um custo marginal muito reduzido para a sua estrutura (a formação era ministrada pelos seus próprios especialistas). Para mim, era exatamente o que eu precisava. Aceitei imediatamente. E naquele momento, o comercial sentiu-se um herói. Tinha “resolvido” o meu problema. O sénior sentiu-se confortável por ter um cliente mais estável e previsível. Toda a gente estava feliz.

A lição chave: Em vez de combater a pressão com pressão, mudei o ângulo da conversa. Transformei o meu “problema” (falta de experiência) numa oportunidade para o fornecedor oferecer algo valioso com custo marginal baixo. Resultado: ambas as partes saíram a ganhar.

Mas aqui está a parte que a maioria não compreende: meses depois, quando surgiram problemas técnicos — e surgiram, porque toda a implementação tem problemas técnicos — o relacionamento com essa empresa foi completamente diferente daquilo que teria sido se eu tivesse “vencido” naquela negociação inicial. Os especialistas deles respondiam rapidamente. Quando havia um impasse, eles procuravam soluções criativas em vez de “aplicarem o contrato”. Quando consegui expandir o projeto para outras áreas, adivinha quem foi o fornecedor preferido? A margem que perdi naquela negociação foi recuperada três vezes nos projetos subsequentes porque tinha um relacionamento sólido e baseado em confiança. Isto é o que acontece quando lhe importa salvaguardar a face do seu oponente.

As 3 táticas de pressão mais comuns

Agora vou explicar-lhe as três táticas de negociação e pressão mais comuns que encontrará em qualquer mesa de negociação. E para cada uma, vou mostrar-lhe exatamente como pode contrabalançá-las sem precisar de ser agressivo, sem perder margem, e mantendo o seu relacionamento intacto.

A primeira é a tática do “Walk Away” — o bluff da saída. Alguém senta-se à sua frente e diz, com um tom de voz muito confiante, que tem outras alternativas melhores. Que não precisa de si. Que pode simplesmente levantar-se e sair. O objetivo desta tática é criar pressão psicológica, fazer com que sinta que está a perder uma oportunidade única. A verdade é que estatisticamente, em 70% dos casos, isto é um bluff absoluto. Se a outra pessoa realmente não precisa de si, então porque é que está ali sentado na sua reunião a gastar tempo consigo?

Como contrariar esta tática? Primeiro, não tenha medo. Responda com algo muito simples: “Compreendo. E se essa alternativa era tão melhor, porque é que está aqui?” Ou então: “Sem problemas, compreendo a sua posição. Mas deixe-me explicar-lhe porque é que nós somos diferentes.” O truque é permanecer calmo e transformar a conversa de “eu versus você” em “nós versus o problema”. Se ele realmente sair, então de facto não havia negócio. Mas a experiência mostra que na maioria das vezes, ele volta. E quando volta, está muito mais aberto a um acordo justo porque percebeu que não tem todas as cartas na mão.

A segunda tática é o “Good Cop, Bad Cop” — aquela em que uma pessoa é simpática e compreensiva, enquanto a outra é severa e inflexível. É exatamente como a que utilizaram comigo. O objetivo é fazer com que sinta que precisa de “agradar” ao bom polícia para evitar o mau polícia. Isto cria uma aliança artificial entre si e uma parte da equipa adversária, e essa aliança é falsa. O bom polícia não está do seu lado; está apenas a fazer o seu papel.

Como contrariar isto? Fale sempre com ambos como se fossem uma unidade. Não procure aliar-se ao bom polícia. Em vez disso, dirija-se às duas pessoas em simultâneo: “Compreendo que há diferentes perspetivas aqui, mas vamos focar-nos no que ambos queremos alcançar juntos.” Isto esfuma a tática porque deixa claro que percebe que eles não estão realmente em desacordo — estão numa peça de teatro. A maioria das pessoas, quando percebem que vê através da tática, abandonam-na porque deixou de ser eficaz.

A terceira tática é a “Apelação à Autoridade Superior” — quando alguém lhe diz que não pode decidir, que precisa da aprovação de alguém acima dele na hierarquia. “Olhe, eu gostaria de fazer isto, mas o meu diretor nunca permitiria.” Isto é simultaneamente uma tática de pressão e uma forma de desculpabilização. Remove a pessoa da responsabilidade da negociação e coloca a culpa numa autoridade invisível. A verdade é que esta pessoa está a comunicar porque, de facto, tem autoridade de negociação. Se não tivesse, não estaria ali.

Como contrariar isto? Simples: em vez de pressionar a pessoa que está à sua frente, peça para ter uma conversa com a tal autoridade superior. “Sem problemas. Então marcamos uma reunião com o vosso diretor para explorar isto em conjunto?” Isto muda completamente a dinâmica. Ou a pessoa admite que, afinal, pode decidir certos aspetos, ou terá de agendar essa reunião e terá de defender a sua posição perante um superior. Nenhuma delas é confortável. Mas — e aqui está o truque — mesmo que ele realmente não tenha autoridade, está a criar uma situação em que ele se sente em posição de defender a negociação perante um superior. Isto significa que ele vai trabalhar consigo para encontrar uma solução que ele possa apresentar de forma confiante lá acima. Isto transforma-o num seu aliado involuntário.

Como desarmar as 3 táticas: “Walk Away” — pergunte “Se essa alternativa era tão boa, porque está aqui?”. “Good Cop/Bad Cop” — trate ambos como uma unidade, nunca se alie ao “bom”. “Autoridade Superior” — peça reunião com o decisor real. Em todos os casos: calma, perguntas, e transformar “eu vs. você” em “nós vs. o problema”.

A arte de salvaguardar a face

Mas há algo muito mais importante que todas estas táticas, e é o conceito central destas táticas de negociação: “salvaguardar a face”. Na cultura portuguesa, esta frase é quase um cliché. Mas na prática das negociações comerciais, é uma arma absolutamente formidável. “Salvaguardar a face” significa deixar a outra pessoa com a sensação de que também conseguiu algo. Não se trata de cedências, nem de perder margem. Trata-se de entender que o ser humano é um animal simbólico. Para nós, aquilo que sentimos é frequentemente mais importante do que aquilo que realmente ganhamos.

Vou dar-lhe um exemplo prático. Imagine que está a negociar o preço de um serviço. O vendedor quer 10 mil euros. Quer pagar 7 mil. Isto é uma negociação tradicional, e provavelmente alguém vai terminar infeliz. Mas imagine isto: em vez de focar na redução de preço, oferece um contrato de dois anos com pagamentos garantidos. Para o vendedor, isto é muito melhor porque tem visibilidade de receita. Para si, talvez o preço unitário seja 8 mil, mas espalhado por dois anos com compromisso garantido. Ele “ganhou” porque o seu diretor vai ver um contrato de longa duração. Ganhou porque a sua margem foi melhorada. E mais importante: quando alguma coisa corre mal, ele não está à procura de um pretexto legal para rescindir o contrato. Está à procura de uma forma de fazer isto funcionar.

O exemplo que partilhei consigo — quando negociei formação em vez de desconto — é exatamente isto. Eu não perdi margem (a formação foi paga normalmente). Ele ganhou porque tinha um argumento forte para apresentar internamente. E toda a gente saiu da reunião a sorrir. A proposição clássica de “ganha-perde” foi transformada numa proposição de “ganha-ganha”. E isto é possível em 80% das negociações se realmente parar um momento para pensar. O que é que a outra pessoa realmente precisa? Qual é a sua pressão interna? O que a faria sentir-se bem com este acordo?

Quando é você que está a ser pressionado

Mas há um lado da moeda que a maioria dos comerciais não compreende: e quando é quem está a ser pressionado? Quando entra numa sala de negociação contra um adversário muito mais poderoso, muito mais experiente, muito mais agressivo? Como é que protege a sua posição sem parecer fraco, sem ceder à pressão, mas também sem ser tão agressivo que destrói qualquer possibilidade de relacionamento?

A primeira regra é: nunca decida na reunião. Isto parece óbvio, mas 60% dos comerciais inexperientes caem nesta armadilha. Está lá a pressão, a pessoa ao seu lado diz que isto é urgente, que precisa de uma resposta hoje, que amanhã pode ser demasiado tarde. Sente a adrenalina, sente o medo de perder a oportunidade, e toma uma decisão precipitada. Isto é exatamente o que a outra pessoa quer. A solução? Diga sempre: “Vou discutir isto com a minha equipa e volto a contactá-lo amanhã.” Ou: “Isto é importante demais para decidir sem considerar todas as implicações. Preciso de 48 horas.” Se alguém está realmente interessado em trabalhar consigo, consegue esperar 48 horas. Se não consegue, é porque quer aproveitar o facto de estar sob pressão para lhe impor condições desfavoráveis.

A segunda regra é: faça perguntas. Muitas perguntas. Quando está a ser pressionado, a sua tendência é defender-se com argumentos. Mas argumentos estimulam contra-argumentos. Perguntas estimulam reflexão. Se alguém lhe diz “O preço é não negociável”, em vez de defender o seu preço, pergunte: “Compreendo que tem uma posição fixa no preço. Mas qual é exatamente o seu orçamento? E qual é a prioridade — está mais preocupado com o preço inicial ou com o custo total ao longo dos três anos?” De repente, deixou de ser uma discussão de posições e passou a ser uma conversa sobre necessidades. E conversa sobre necessidades é muito mais fácil de navegar.

A terceira regra é: tenha linhas vermelhas, mas não as comunique. Precisa de saber exatamente em que ponto é que tem de sair. Qual é o preço mínimo que pode oferecer? Qual é o prazo máximo que pode cumprir? Tenha isto absolutamente claro na sua cabeça. Mas não comunique isto à outra pessoa. Comunique os seus argumentos de valor. “O nosso preço reflete o diferencial de qualidade que oferecemos. Os nossos clientes economizam 30% em custos operacionais no primeiro ano.” Isto é muito mais poderoso do que dizer “O meu preço é este e não posso fazer mais.” O primeiro está baseado em valor; o segundo está baseado em posição.

A quarta regra é: crie opções. Não é bem verdade que está encurralado. Na maioria das vezes, há múltiplas formas de resolver um problema. Se o preço é impossível, talvez o pagamento possa ser estruturado de forma diferente. Se o prazo é apertado, talvez haja uma solução faseada. Se o volume é insuficiente, talvez possa trabalhar em múltiplas fases. Quando começa a oferecer opções em vez de estar defensivo, a dinâmica muda completamente. “Compreendo que precisa de um resultado rápido. Vou oferecer-lhe três cenários…” É muito mais poderoso do que estar ali a dizer “não, não consigo fazer isto no prazo.”

E finalmente, a quinta regra: respeite o outro lado. Mesmo que esteja a ser pressionado de forma agressiva, não responda com agressão. Responda com profissionalismo e com respeito. Isto tem dois efeitos. Primeiro, deixa claro que não é alguém que se descontrola facilmente, que não é fácil de intimidar. Segundo, mantém a porta aberta para um futuro relacionamento. Se sair de uma negociação difícil tendo mantido a compostura e o profissionalismo, a outra pessoa respeitá-lo-á muito mais do que se tivesse ficado irritado ou defensivo. E esse respeito é fundamental para negociações futuras.

As 5 regras quando está a ser pressionado: 1) Nunca decida na reunião — peça 48 horas. 2) Faça perguntas em vez de argumentar. 3) Tenha linhas vermelhas, mas não as comunique. 4) Crie opções em vez de ficar defensivo. 5) Respeite sempre o outro lado — mantém portas abertas.

A reputação vale mais que a margem

Há uma verdade que muitos comerciais, gestores e donos de empresas nunca compreendem completamente. A sua reputação no mercado não é feita pelas negociações que “ganha”. É feita pelos relacionamentos que constrói. Porque se ganha uma negociação prejudicando a outra pessoa, essa pessoa vai contar ao seu chefe, ao seu amigo, ao seu colega. E essa história vai-se espalhar. Vai começar a ouvir frases como “Aquela empresa é complicada de negociar” ou “Aquele comercial é muito agressivo a negociar.” Nenhuma delas é boa publicidade quando está à procura de clientes a longo prazo.

Existe uma razão pela qual algumas empresas conseguem negociar margens muito melhores do que os seus concorrentes. Não é porque têm um produto melhor. É porque têm uma reputação de serem justos, profissionais e fiáveis. Porque os seus clientes sabem que quando assinam um contrato com eles, vão ser tratados bem. Porque quando há um problema, eles procuram uma solução em vez de procurarem um culpado para responsabilizar. Esta reputação vale muito mais do que uma redução de 5% no preço naquela negociação específica.

Há ainda um elemento que quero destacar especificamente porque vejo muitos comerciais a cometer este erro constantemente. Quando identifica uma tática de pressão — quando percebe que estão a tentar fazer um “walk away”, ou um “bom polícia mau polícia” — o seu reflexo automático é contrapor com agressão. “Muito bem, se é assim, eu também posso sair.” Mas isto é exatamente o que eles esperavam. Transformou-se numa batalha de egos, e quando a negociação é sobre egos, quem ganha geralmente é quem tem mais poder. E provavelmente não é quem o está a ler.

Em vez disso, reconheça a tática com humor. Isto é poderoso. “Compreendo, o seu colega aqui é claramente a voz da autoridade e o senhor é a voz da razão. Percebemos perfeitamente como isto funciona.” Ou: “Sem problemas, entendo que têm outras alternativas. Mas vamos focar-nos em porque é que nós somos a melhor alternativa, não em porque é que as outras existem.” Isto mostra que não é ingénuo, que percebe o jogo, e que está disposto a jogar de forma inteligente. Isto gera respeito. E pessoas que o respeitam são muito mais fáceis de negociar do que pessoas que estão determinadas a vencê-lo.

A negociação é apenas o começo

A arte de salvaguardar a face do oponente é a melhor de todas as táticas de negociação — a arte de compreender que toda a gente quer sair de uma reunião de negociação a sorrir. Se conseguir criar condições para isso, já ganhou a maioria das suas negociações. Não ganhou no preço exato que esperava, não ganhou em todas as condições. Mas ganhou algo muito mais valioso: um cliente ou um parceiro que está verdadeiramente investido no seu sucesso.

Uma última coisa, e isto é importante. Salvaguardar a face do oponente não significa ser um tapete. Não significa aceitar tudo o que ele diz. Não significa deixar-se explorar. Significa ser firme nas suas convicções, ser claro nos seus limites, mas ser inteligente na forma como os comunica. Significa que quando diz “não”, é porque realmente não pode fazer aquilo, e consegue explicar porquê de forma que a outra pessoa compreenda que não é uma negação pessoal contra ele, mas uma restrição genuína da sua parte. Isto é muito diferente de dizer “não” e deixar a outra pessoa a sentir-se rejeitada.

Há uma frase que ouço muito frequentemente de comerciais que tiveram negociações difíceis: “Aquele cliente é impossível.” Ou: “Aquele fornecedor não quer colaborar.” A verdade é que a maioria das pessoas são muito mais colaborativas quando se sentem respeitadas. O cliente que acha que é “impossível” talvez apenas se sinta desrespeitado por outras empresas e está cansado de estar numa dinâmica de confronto. Quando chega com uma abordagem diferente, quando oferece soluções em vez de apenas defender posições, quando mostra que o respeita e que quer um acordo justo, a transformação é quase milagrosa. De repente, a pessoa que era “impossível” torna-se uma das mais colaborativas que tem.

A verdade incómoda: Provavelmente já prejudicou o seu negócio muito mais com negociações que “venceu” do que com aquelas que “perdeu”. Porque quando vence de forma agressiva, deixa para trás relacionamentos danificados — clientes que falam mal de si, fornecedores que deixam de dar o melhor, parceiros que não investem na relação.

A capacidade de dominar táticas de negociação não é um dom inato. É uma competência. E como qualquer competência, pode ser aprendida, pode ser praticada, pode ser melhorada. O primeiro passo é compreender que uma negociação não é uma batalha em que alguém tem de perder. É uma dança em que os dois parceiros estão a tentar chegar ao mesmo sítio, frequentemente apenas não percebem de onde o outro vem. O comercial que compreende isto, que consegue pensar para além do seu próprio resultado imediato, que consegue dar algo ao outro lado que o deixe satisfeito — esse comercial é o que constrói impérios de clientes fiéis. Esse é o que tem um pipeline robusto porque as pessoas querem trabalhar com ele. Esse é o que consegue negociar margens melhores porque a sua reputação precede-o.

Esta semana, pare um pouco para pensar:

1. Na sua última negociação, como é que a outra pessoa saiu a sentir-se? Satisfeita e respeitada, ou humilhada e arrependida?
2. Quando identifica uma tática de pressão, o seu reflexo é contrapor com agressão ou desarmar com inteligência e humor?
3. Está a construir relações de negócio que duram décadas, ou está a “ganhar” negociações individuais e a perder clientes a longo prazo?

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