Ao longo de muitos anos de trabalho com comerciais nas mais diversas áreas, uma das questões que mais me apaixona é perceber o que separa um bom vendedor de um vendedor médio.
E uma das coisas que mais me surpreendeu ao longo deste tempo foi perceber que a maioria dos comerciais médios partilham um traço comum: não estudam os que vendem mais do que eles.
Parecem assumir que o sucesso dos outros é inato. Uma espécie de talento misterioso que uns têm e outros não.
Não é.
O sucesso em vendas deixa pistas. Sempre. A questão não é se estão lá — é se tens os olhos e a mente preparados para as ver.
A Máxima Que Todo o Vendedor Conhece — e Quase Ninguém Aplica
No mundo dos negócios, toda a gente sabe que “não se deve inventar a roda”.
Mas será que essa máxima é aplicada quando se trata de crescimento comercial?
Na minha experiência de trabalho com milhares de comerciais, a resposta é não.
A maioria das pessoas genuinamente não entende porque é que outros à sua volta vendem mais — e isso não é falta de inteligência. É falta de método.
A isso, chamo eu Modelação de Estratégias de Vendas. E quando bem utilizada — com intenção e disciplina — é das técnicas de desenvolvimento comercial mais eficazes que conheço.
É também, como todas as técnicas que advogo, surpreendentemente simples.
Como o Cérebro de um Bom Vendedor Funciona
Parte de uma premissa fundamental: todos os seres humanos funcionam com base em estratégias.
Estratégias de sucesso. Estratégias de insucesso. E a boa notícia é que ambas são aprendidas.
Cada vez que um vendedor faz uma chamada de prospeção que resulta, o cérebro regista. Cada vez que conduz uma reunião de forma eficaz e sai com um avanço, o cérebro cria um padrão. De forma muito simplificada, eis o que acontece:
- 1.ª vez que realizas uma abordagem comercial → estabelecem-se novas ligações neuronais
- 2.ª, 3.ª, 4.ª vez → essa ligação reforça-se progressivamente
- Após cerca de 21 dias de repetição consistente → o cérebro toma uma decisão silenciosa e poderosa
“Se estás a fazer isto tantas vezes, então é melhor automatizar. Assim não tens sequer de pensar.”
A partir daí, o comportamento migra para o piloto automático.
Pensa nisto: quando conduziste esta manhã, paraste para pensar em cada mudança de velocidade?
Obviamente que não. E é exatamente isso que acontece com um vendedor de sucesso. Ele não pensa — age. E age bem, de forma consistente, porque esse padrão foi construído através de repetição deliberada.
O Nó da Questão — e Por Que Razão a Modelação de Vendas É Tão Poderosa
Aqui está o problema central quando queremos aprender com alguém de sucesso em vendas: essa pessoa já não pensa no que faz.
O que ela faz de excecional está tão automatizado que, se lhe perguntares como fecha um negócio difícil ou como cria empatia numa cold call, a resposta mais comum será um encolher de ombros: “Não sei… simplesmente funciona.”
É aqui que precisas de ser estratégico.
Ao longo dos anos, desenvolvi duas abordagens principais para aprender com os melhores vendedores:
Abordagem 1 — Observação Ativa e Estruturada
Se não tens a proximidade — ou a confiança — para perguntar diretamente, então a observação atenta é o teu instrumento.
Mas atenção: não estamos a falar de observação passiva. Estamos a falar de observação com intenção comercial.
O que observar num vendedor de sucesso:
- O que faz — os comportamentos concretos e visíveis: como abre uma reunião, como lida com objeções, como faz o follow-up
- Como faz — o processo, a sequência, o timing de cada passo comercial
- O que não faz — as omissões deliberadas são tão reveladoras quanto as ações
- Como reage sob pressão — especialmente em negociações difíceis ou quando o cliente coloca resistência
Abordagem 2 — Conversas de Modelação com o Vendedor
Se tens acesso ao comercial de sucesso que queres estudar, aproveitá-lo é obrigatório. Mas faz as perguntas certas — porque perguntas vagas geram respostas vagas.
Experimenta estas perguntas de modelação de vendas:
“No seu entender, o que é que faz de diferente nesta fase do processo comercial?”
“O que é que acha que funciona mais na sua abordagem de prospeção?”
“Em que circunstâncias é que essa técnica resulta — e quando é que não resulta?”
“Como aborda uma reunião com um cliente que nunca conheceu?”
“Das primeiras vezes que fechou um negócio difícil, o que acha que fez mesmo a diferença?”
Esta última pergunta é particularmente poderosa. Ao pedirmos ao vendedor que recue no tempo — antes da automatização — temos maior probabilidade de aceder ao processo real, não à versão já polida e irreflectida.
Reflete um Momento
Antes de continuares, para 30 segundos e responde com honestidade:
Tens um colega, ou alguém na tua área, que vende consistentemente mais do que tu?
Já estudaste, de forma sistemática, o que é que esse vendedor faz de diferente?
Não o que achas que faz. O que de facto faz.
Se a resposta for não — e para a grande maioria dos comerciais com quem trabalho é exatamente isso — estás a deixar um dos recursos mais poderosos de desenvolvimento de vendas completamente por explorar.
O Erro Que a Maioria dos Comerciais Comete
Na formação, os vendedores colocam-me frequentemente uma variação desta questão: “Mas os bons comerciais têm um dom natural — não é possível aprender isso.”
A minha resposta é sempre a mesma: podem existir algumas características com que se nasce, mas a esmagadora maioria do que faz um vendedor de sucesso é aprendido na dura realidade do dia-a-dia.
E se foi aprendido por uns, pode ser aprendido por outros.
Não será o caso de todas as pessoas — não vou romantizar o processo. Mas com a grande maioria dos comerciais com quem trabalho, esta é a realidade que observo.
O problema não é a capacidade de aprender. É a falta de método e disciplina para o fazer.
Não são as grandes coisas que distinguem um bom vendedor. São os danoninhos — os pequenos detalhes, aplicados com consistência e disciplina, dia após dia.
O Teu Exercício de Vendas Esta Semana
Não te peço que faças uma grande mudança. Peço-te que faças uma coisa bem feita.
Passo 1 — Identifica um vendedor na tua área ou empresa que tenha consistentemente os resultados que tu queres ter.
Passo 2 — Durante esta semana, observa-o com intenção. Ou, se tiveres acesso, prepara duas ou três das perguntas de modelação acima e tem essa conversa.
Passo 3 — Extrai uma estratégia de vendas concreta — uma forma de abrir, de questionar, de tratar objeções, de fazer follow-up — que possas começar a aplicar ainda esta semana.
Passo 4 — Aplica com disciplina durante 21 dias. Não quando te apetecer — todos os dias.
E depois conta-nos o que aconteceu.
O sucesso comercial não é magia. Não é sorte. Não é um talento misterioso reservado a alguns vendedores.
É, em grande medida, um conjunto de estratégias de vendas aprendidas — e portanto aprendíveis.
Quem tem sucesso em vendas, tem-no porque encontrou e repetiu as estratégias certas com a disciplina certa.
A questão que fica é simples: vais começar a estudar e a aprender essas estratégias de vendas — ou vais continuar a observar de longe?
A escolha, como sempre, é tua.
Perguntas Frequentes Sobre Estratégias de Vendas
O que separa um vendedor de sucesso de um comercial médio?
Na minha experiência de trabalho com milhares de comerciais, a diferença raramente está no talento. Está na disciplina de replicar as estratégias certas de forma consistente — o que chamo Modelação de Estratégias de Vendas.
Como posso melhorar os meus resultados de vendas rapidamente?
O caminho mais rápido é identificar um vendedor de sucesso na tua área e estudar o que ele faz de forma sistemática — não o que achas que faz, mas o que de facto faz. Em seguida, aplica uma estratégia concreta durante 21 dias consecutivos.
Técnicas de venda podem ser aprendidas ou são inatas?
A esmagadora maioria do que faz um bom vendedor é aprendido. Certas características ajudam, mas o processo comercial — prospeção, reunião, tratamento de objeções, fecho — é uma competência que se treina e aperfeiçoa com método e repetição.
Quanto tempo demora a criar um novo hábito de vendas?
A neurociência sugere cerca de 21 dias de repetição consistente para que um comportamento comece a migrar para o piloto automático. O problema não é o tempo — é a disciplina para manter a repetição todos os dias, não só quando apetece.





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