Anda por aí a ideia de que a liderança, hoje, é influência e já não é autoridade, e de que o respeito de uma equipa se conquista sem precisar de cargo nenhum.
Tem uma parte de verdade, mas experimente separar as duas coisas na prática: quem decide sem ser respeitado dura pouco, e quem é respeitado, mas não decide nada, também não leva uma equipa longe.
Em resumo
Ser autoritário é impor pelo cargo. Ter autoridade é ser seguido por causa do que se faz. Não há uma chave única. São cinco: respeito conquistado, mensagem clara, atitude perante as dificuldades, capacidade de motivar e capacidade de inspirar. E uma sexta que não vem nos manuais: capacidade de encaixar. O cargo dá o direito de decidir. Só o comportamento dá o direito de ser seguido.
Não existe «a chave» de uma liderança bem-sucedida. Existe um conjunto de chaves, e a autoridade é uma delas, ao lado da influência. Opor as duas soa bem numa conferência e descreve mal o que acontece numa equipa.
A palavra autoridade arrasta uma carga negativa que não merece, e a culpa é de se parecer com autoritário. O autoritário impõe-se pelo cargo. Quem tem autoridade é seguido pelo que faz. O cargo dá o direito de decidir. O resto ganha-se.
Que chaves são estas?
Respeito
Sem respeito pelo líder, o poder de influenciar e de exercer autoridade fica muito reduzido. E o respeito é das poucas coisas que não se exigem: ou é merecido, ou não existe.
Conquista-se pelo exemplo, pela forma de comunicar, por consultar a equipa, por escutar as opiniões e, acima de tudo, por aceitar os outros tal como eles são.
Clareza da mensagem
Uma comunicação pouco clara não junta ninguém à volta de nada. Comunicar com clareza é uma competência a sério, e não se resume a saber falar: saber escutar faz parte dela.
Muitas vezes o problema não está no que se diz, mas na maneira como é dito. O recado velado, deixado à espera de que alguém o apanhe mais tarde, sai sempre mais caro do que a conversa direta que se evitou.
Atitude positiva e dar o exemplo
A atitude contagia-se depressa, e contagia-se de cima para baixo. Perante uma dificuldade, a postura de quem está à frente marca o tom de todos os outros.
Atitude positiva não é otimismo de circunstância nem esconder a cabeça na areia à espera de que os problemas passem. É enfrentar os desafios com coragem e abertura, e com vontade de os vencer.
Capacidade para motivar
Motivar é conseguir que a equipa queira ter um desempenho elevado, e não apenas que o cumpra. Na prática, o que vejo é que ninguém abraça a missão de alguém em quem não confia, por muito bem escrita que a missão esteja.
Motiva-se pelo exemplo, pelo modo como se fala e se envolve a equipa, e por se descobrir o que move cada pessoa, que raramente é o mesmo de uma para a outra.
Capacidade de inspirar outros
A diferença entre motivação e inspiração é o prazo. A motivação tem de ser renovada semana a semana. A inspiração fica cá dentro muito depois de quem a provocou já não estar presente, e os melhores líderes conseguem as duas.
E em termos de personalidade? Os melhores líderes com quem trabalhei raramente correspondiam ao estereótipo do chefe carismático. Eram pessoas discretas, que davam o exemplo primeiro e só depois exigiam de todos um desempenho de excelência.
E mesmo assim há semanas más
Convém dizê-lo, porque nenhuma lista resolve o assunto por inteiro: mesmo cumprindo tudo isto à risca, há semanas em que a liderança corre mal. É de pessoas que se trata, e as pessoas surpreendem, pela positiva e pela negativa.
Por isso, às cinco chaves acrescento sempre uma que raramente vem nos manuais: capacidade de encaixar. É o que separa quem desiste ao terceiro mês de quem ainda cá está no terceiro ano.
A pergunta do título responde-se sozinha ao fim de um ano à frente de uma equipa: o autoritário ainda precisa de lembrar o cargo que tem, e quem tem autoridade já não precisa de o dizer a ninguém.
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