Na vida, conduz ou é conduzido? É a pergunta que mais uso com as equipas, e a que leva mais tempo a ter resposta.
Em resumo
«Na vida, conduz ou é conduzido?» é uma pergunta sobre passar do lugar do passageiro para o lugar do condutor: deixar de culpar o patrão, a sociedade ou o passado e fazer algo para mudar. A motivação tem de vir de dentro. A fórmula tem cinco pontos: saber onde quer chegar, perceber com humildade onde está, conhecer o caminho, saber o que lhe falta aprender e dar o primeiro passo.
Quem acompanha este trabalho sabe que gosto de levar as pessoas a pensar quando se fala de motivação. Com a abordagem do costume não se chega lá.
Seja qual for o ciclo económico, e nos últimos anos houve uns quantos, a parte que está ao alcance de cada um é a mesma: mudar do lugar do passageiro para o lugar do condutor, na vida e no trabalho.
Perante uma situação difícil, ou se espera sentado que passe, ou se levanta o posterior da cadeira e se faz alguma coisa para mudar.
Fica-se pelo «quero»
A motivação tem de vir de dentro. E nas primeiras sessões a conversa fica quase sempre pelo «quero»:
- Quero um emprego melhor
- Quero um aumento
- Quero ser rico
- Quero ser feliz
- Quero ser…
A pergunta seguinte é sempre a mesma: «está bem, quer. E o que é que já fez nesse sentido?» É uma pergunta desconfortável, e é para ser.
Na maior parte dos casos, a resposta honesta é «ainda nada». O que não é vergonha nenhuma: é o ponto de partida.
E a seguir vem a lista das razões, que também é sempre a mesma: a economia, a chefia, o mercado, o país. Nenhuma delas é falsa. O problema é que nenhuma delas está ao alcance de quem a aponta.
Ou então o próprio passado: a formação que não houve, as oportunidades que apareceram e não foram agarradas, a decisão que se adiou.
Conduzir a olhar para o retrovisor
Será que conduzir a vida de olhos postos no retrovisor dá bom resultado?
No meu entender, não dá. O melhor que o passado tem é exatamente isto: já passou. Ninguém está obrigado a repeti-lo, desde que queira outra coisa e esteja disposto a desenhar o caminho até ela.
Mas é assim tão difícil chegar ao que se quer?
Pessoalmente, já tive de refazer a vida três vezes, quase de raiz. E das três vezes voltei a levantar-me a dizer a mesma coisa a mim próprio: «o amanhã será diferente. Caí, mas há mais pessoas com quem falar e mais portas a que bater».
Foi esta atitude que me trouxe até onde estou hoje. E a fórmula que usei foi sempre simples:
- Saber muito bem onde queria chegar
- Perceber com humildade onde estava, e dizê-lo em voz alta
- Conhecer o caminho que tinha de fazer para lá chegar
- Saber que conhecimentos tinha de adquirir para o conseguir
- Dar o primeiro passo, que é sempre o que custa
A lista não tem nada de extraordinário. O que custa é o último ponto, e é aí que quase toda a preparação do mundo deixa de servir para alguma coisa.
O primeiro passo
Pegue numa folha de papel e escreva os cinco pontos na sua própria situação, um por linha. O segundo é o que costuma sair mais curto do que devia.
Depois escolha a ação que o deixa mais perto do que quer, mesmo que não seja a mais fácil, e marque-a na agenda com dia e hora. Uma intenção sem data é só um desejo bem escrito.
O lugar do condutor não se cede a ninguém. Só se ocupa.
Quer desenvolver as competências de liderança na sua empresa? Conheça a nossa formação em liderança — prática, personalizada e focada em resultados mensuráveis.
