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Numa reunião para ter ideias, quem cala nem sempre consente, porque às vezes só desistiu de falar. Acontece muito quando o brainstorming se faz à volta da mesa, com o chefe a abrir a conversa e cada ideia avaliada no momento em que aparece. E a investigação mostra que o mesmo número de pessoas, cada uma a trabalhar sozinha e com as ideias somadas no fim, produz bastante mais ideias do que um grupo a discutir em conjunto, onde só fala uma de cada vez.
Simon Sinek, conhecido pelos livros sobre liderança, contou num vídeo como gera ideias com a equipa dele. Juntando o que ele faz ao que diz a investigação, e com regras minhas pelo meio, o método cabe em três passos. Primeiro, as ideias pedem-se por escrito, antes da reunião, e contam todas, até as piores. Na equipa de Sinek, cada pessoa teve 48 horas para trazer a lista, sozinha ou em grupos de dois ou três. Segundo, enquanto as ideias são apresentadas, ninguém as comenta, porque um simples «isso sai caro» trava as seguintes e mesmo um «boa ideia» do chefe diz à sala o que ele quer ouvir. Como aconteceu na equipa de Sinek, as ideias de uns acabam por puxar as de outros. Acrescento uma regra que não está no vídeo de Sinek: o chefe só fala depois de todos terem dito o que trouxeram.
Terceiro, a escolha faz-se noutra reunião, com a lista escrita e critérios combinados antes de olhar para ela. Os critérios podem ser perguntas como quanto custa experimentar a ideia, quem a vai executar e se é diferente do que a equipa fez no ano passado. Quem escolhe tende a ficar com as que lhe parecem exequíveis, e as originais dificilmente sobrevivem sem ajuda, por isso vale a pena perguntar de propósito o que é diferente. Um bom sinal de que o brainstorming correu bem é a lista final ter ideias que ninguém, nem o chefe, levava para a sala.
Veja também o artigo completo: Brainstorming com a Equipa Comercial: Como Não Matar as Boas Ideias à Nascença
