Há pessoas que dizem que tratam de uma coisa e a coisa fica tratada. Marcam uma reunião e aparecem preparadas. Ao fim de um ano, a opinião delas pesa mais do que o cargo que têm, e ninguém decidiu isso numa reunião de direção.
Em resumo
São três os hábitos que mais destroem credibilidade: prometer e não cumprir, começar projetos e nunca os acabar, e dar desculpas em vez de chegar com uma solução. A correção passa por anunciar só o que já está feito, arrancar cada projeto com um plano concreto de ações e datas, e responder a problemas com soluções.
E já reparou como, com outras pessoas, é difícil conseguir que alguém as siga? Umas poucas pessoas têm essa presença desde sempre. A maior parte constrói-a ao longo dos anos, muitas vezes à custa de alguns tropeções.
A pergunta que interessa é esta: se pudesse melhorar duas ou três características pessoais, quais fariam mesmo diferença na forma como os outros o veem?
Nas formações de liderança, a resposta cai quase sempre nos mesmos três pontos.
1. Prometer e não cumprir
Costuma prometer primeiro e só depois perceber que não consegue cumprir?
Anuncia com entusiasmo à equipa aquilo que vai fazer? A reorganização, o novo processo, a ferramenta que vai mudar tudo. E depois, por uma razão ou por outra, nada disto chega a acontecer?
A regra que corrige o hábito cabe numa linha: anuncie o que está feito, não o que vai fazer.
É uma regra pequena com um efeito grande: cada anúncio passa a valer alguma coisa, porque nenhum fica por cumprir. Quem só fala do que já entregou constrói um historial em vez de uma expectativa.
2. Começar projetos e não os acabar
Sejamos honestos: quantos projetos arrancaram este ano e ficaram na fase do entusiasmo inicial?
Raramente é falta de vontade. É falta de plano: o objetivo existe, mas ninguém escreveu as ações e as datas que levam até ele.
Em vez de arrancar com toda a força e sem plano, pare antes de começar e escreva as ações e as datas com que consegue mesmo comprometer-se. A partir daí os projetos ganham outra sustentação, porque deixam de depender da energia do primeiro dia.
3. Dar desculpas em vez de apresentar soluções
Quem está à volta espera soluções, não problemas.
A característica que distingue as pessoas com quem se pode contar é simples de descrever e difícil de manter: em vez de arranjarem justificações, chegam com uma proposta de solução, mesmo quando a solução é imperfeita.
Da próxima vez que a explicação estiver pronta antes da solução, pare. Vale a pena perguntar o que falta mesmo para resolver a situação, ou pelo menos para chegar à reunião com uma hipótese em cima da mesa. Numa equipa, quem chega sempre com uma hipótese acaba por ser a pessoa a quem se pergunta primeiro.
Dos três hábitos, costuma haver um que se lê com mais desconforto do que os outros dois. É por aí que vale a pena começar, e os outros ficam para quando o primeiro estiver arrumado.
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