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A Ramp, de Nova Iorque, vende a outras empresas cartões de pagamento para as despesas dos colaboradores, e o software que controla essas despesas. Em 2021, tinha só cinco comerciais dedicados à prospeção e milhões de pessoas para contactar. Construiu uma ferramenta própria de contacto automatizado e, mais tarde, juntou-lhe o ChatGPT para escrever as mensagens, classificar as respostas e organizar as caixas de correio dos comerciais. Hoje, a isto chama-se um agente de IA. Durante anos, foi dele que veio 30% do pipeline comercial da Ramp. Em dezembro de 2025, a empresa desligou-o.
O cofundador Gene Lee deu quatro razões. A primeira é a que mais pesa para uma PME portuguesa: hoje há dezenas destes agentes no mercado, alimentados com dados parecidos, e uma vantagem que qualquer empresa pode comprar passa a ser o mínimo que todas têm. As outras três foram o crescimento da equipa comercial, para perto de 500 pessoas, uma venda mais complexa e clientes cansados do contacto a frio.
Pense na caixa de correio de um diretor de compras. As mensagens começam todas pelo nome dele, elogiam uma publicação no LinkedIn e acabam a pedir quinze minutos. Quanto mais barato fica enviar, mais difícil fica ser lido.
Em vez de deitar a IA fora, a Ramp entregou-a a cada pessoa da equipa comercial. No meu entender, é aí que a IA rende: a preparar o contacto, a escrever o primeiro rascunho, a arrumar as respostas e a manter o CRM atualizado. A conversa com o cliente fica com o comercial.
Antes de assinar contrato com um fornecedor destes agentes, faça-lhe quatro perguntas. Que dados é que o agente vai usar, e são nossos ou os mesmos que o concorrente pode comprar? Quem é que lê cada mensagem antes de ela sair? Quando alguém responde, quem é que pega na conversa? E o resultado mede-se em mensagens enviadas ou em reuniões com os clientes certos?
Veja também o artigo completo: IA na Prospeção: Porque É Que a Ramp Desligou o Agente Que Gerava 30% do Pipeline
